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Silagem bem feita evita fungos

  • 31/01/2007 15:40

Muitos pecuaristas aproveitam esta época para fazer silagem e, assim, garantir alimento para o rebanho na seca. Porém, para que os animais consumam volumoso de boa qualidade é importante ficar atento às micotoxinas, substâncias produzidas por fungos.



Segundo o pesquisador Pedro Braga Arcuri, da Embrapa Gado de Leite, por causa das chuvas freqüentes comuns no começo de ano, o cuidado na hora de ensilar deve ser redobrado, pois a umidade é condição ideal para fungos. "Colher a forrageira ou grãos e ensilar em dias de chuva pode trazer problemas por causa do barro, que pode conter microrganismos nocivos, e por causa da maior umidade."



De acordo com Arcuri, a ocorrência de fungos na silagem significa silagem mal feita. "Quando o processo não segue critérios básicos, a presença de oxigênio no silo é aproveitada pelo fungo para a produção da micotoxina", diz.



Corte na hora certa



Arcuri diz que a prevenção a fungos começa na colheita da forrageira. "Colher o milho na hora certa é essencial para uma boa ensilagem, pois o corte no ponto certo já ajuda a evitar a proliferação de fungos", ensina. No caso do milho, que é o tipo de silagem mais utilizado, o corte da planta deve ser feito quando os grãos estiverem ultrapassando o ponto de pamonha, que o produtor pode identificar apertando o grão e verificando a consistência. "Se ela estiver um pouco líquida, está no ponto ideal." Outra forma de saber o ponto certo de corte é determinar o teor de matéria seca da planta, que, para o milho, deve ser de 35%. "Pode-se usar o método do forno de microondas, mas cada um opta pelo mais conveniente e prático."



Embora o pesquisador cite o exemplo do milho, ele diz que esse cuidado vale para qualquer outra forrageira: sorgo, cana-de-açúcar e capins tropicais, como braquiarão, mombaça, tanzânia, xaraés, etc. "Um técnico pode orientar sobre o ponto de colheita ideal de cada planta."



Outro cuidado refere-se ao controle da picagem e compactação da silagem, que devem ser uniformes para favorecer a remoção de ar do volumoso e evitar o aumento de temperatura. A dica é picar a planta em pedaços pequenos e, para compactar, o produtor pode usar animais ou trator. "Associada a isso deve existir uma vedação eficiente, com lona plástica resistente."



Odor agradável



Ao abrir o silo, os cuidados prosseguem. Conforme Arcuri, o criador deve verificar três aspectos: temperatura, odor e aparência. "Não pode haver calor excessivo, o cheiro deve ser agradável - levemente ácido - e não deve haver sinais de mofo. A silagem é um iogurte de plantas", compara.



É preciso separar, criteriosamente, a parte útil da porção deteriorada, mas se um desses aspectos estiver alterado, o mais seguro é não dar o volumoso ao rebanho. Caso o produtor não tenha experiência em fazer silagem, a recomendação é buscar orientação técnica. "Pode-se recorrer a casas de agricultura", aconselha o pesquisador.
Fonte: O Estado de S. Paulo



 

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